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Florianópolis, 29 de Novembro de 2009 LEITORES Por: Wilson Bueno Da edição ampliada, a sair, de “Manual de Zoofilia” Leitores Mal os percebemos os que nos lêem. Noturnos em suas camas sozinhas, claros ao sol dos parques, curvos nas bibliotecas de Babel e da Conchinchina, nos reiventam os sonetos desesperados, redizem o dizer já dito mas com tal tamanha invenção que incendeiam, ah como incendeiam, os textos exangues – de heróica desesperança. Não importa se de enlevo a tua cara branca no vidro da janela; ainda és, mesmo assim, a intangível margem dos livros fátuos, e os parágrafos mortos de medo. Trêmulo me agarro a um decassílabo perfeito. Tonto de ternura, as mãos insones, vos adivinho e a vós me dedico com um luxo que decididamente não é meu nem me pertence. Animal de pequeno porte, uivo. Examino a lombada dos livros eternos, gravadas a ouro e cristal; você cochicha na sala a canção que um dia foi minha. És assim, a reescrever o duas vezes lido porque escrito; o reescrito porque ainda outra vez lido. E é de amor, sim, de indecifrável amor, o nosso enlace.
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