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Florianópolis, 16 de Janeiro de 2009 O SUBJÉTIL ELETRÔNICO Por: Sérgio Medeiros* A e-poesia, ou poesia eletrônica, pressupõe um subjétil (um suporte, uma superfície) que não é material. O subjétil eletrônico permite que a forma se faça e se desfaça, irrequieta. Ensaiar, errar, refazer, tudo isso se torna, no subjétil eletrônico, uma necessidade, e por isso o informe não trai a linguagem do poeta. Forma instável, a e-poesia acolhe o súcubo, a bruxa do acaso, o demônio feminino que desordena a casa ou multiplica os cômodos, abrindo as portas a todas as linguagens. Seguindo a leitura de Derrida (refiro-me ao seu ensaio sobre Artaud, “Enlouquecer o subjétil”), penso que o subjétil eletrônico é aquele que se deixa “atravessar”, é maleável, poroso: vai-se alargando, conforme as linguagens pululam. A forma poética o amassa e o estende, infinitamente. O subjétil eletrônico não é um tecido, não “é”. Não se pode cortá-lo, fazê-lo em pedaços, mas emendá-lo, infinitamente, ou dobrá-lo sobre si mesmo, sem poder detê-lo. Ele escapa. Essa é a regra da e-poesia, uma poesia escrita/desenhada/falada sobre uma superfície que se esvai, que escapa para todos os lados, arrastando com ela os signos. Se pensarmos o livro eletrônico a partir do seu subjétil, veremos que ele é muito diferente do livro impresso. O subjétil eletrônico não serve de suporte para qualquer poesia – precisa ser poesia “eletrônica”, escrita com esse espírito. A maioria dos poetas talvez traia o subjétil eletrônico, usando-o como subjétil material, de papel. * Sérgio Medeiros é poeta e tradutor, tendo vertido para o português, entre outros, o poema maia “Popol Vuh” (Iluminuras, SP), indicado ao prêmio Jabuti 2008
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